Southern Girl

Chovia naquela tarde em que marcaram de se encontrar em frente a lojinha vermelha na rua do lado esquerdo da rua principal. “Porque diabos ela escolheu esse lugar” Ele pensava enquanto percorria o caminho já encharcado, chegando lá ficou parado em baixo do toldo com pensamentos feito turbilhões em sua cabeça. O porque daquele encontro, o que fariam com aquela chuva toda, sobre o que seria o assunto que ela queria falar sobre. Haveria qualquer chance de ela o querer de volta? Enfim! Não importava, “sou eu quem não a quero de volta” pensou. Mas ao mesmo tempo que pronunciava essas palavras no superficial de sua mente em seu interior memórias de momentos juntos, do sorriso dela, dos lugares onde já foram, coisas que conheceram, a humildade que se criou dentro dele a partir da delicadeza dela em mostra-lo que existe beleza até nas coisas mais simples. Preso dentro dessa cadeia de memórias sua saudade se aguçava. Começava a ficar ansioso.

Ao contrario dela, que já estava ansiosa desde a hora em que pediu a ele que a encontrasse. Tinha acordado com a imensa vontade de vê-lo. De compreende-lo, queria a aproximação que nunca antes tinha tido. Tentou fugir desse sentimento em seus devaneios, mas quando finalmente caiu em sí percebeu a loucura e aventura que era estar ao lado dele. Pensava que estar ao lado de alguém significava se sentir segura, ser amada, confortada, entendida. Mas como alguém que não entende nem a sí mesma quer que outro a entenda. Em seus dias pensando no que acontecera percebeu que a insegurança que ele passava nada mais era do que a simplicidade do seu estilo de vida, e que aquilo era uma das coisas que mais chamavam a atenção dela nele. 

Ele checava seu celular constantemente, será que ela não viria? “Besteira!” pensou ele. “Teve a coragem de me fazer vir até aqui, pra não vir, não é possível”, queria ligar, mandar uma mensagem, qualquer coisa para receber notícias, mas nada fez. Nada que pudesse anunciar que por trás de seus pensamentos orgulhosos havia um ser humano, que esperava a espera de outro como alguém que espera a paz de espírito. Passava pela sua cabeça que ela não viria, talvez pela chuva, talvez tivesse desistido de seu pedido, talvez tivesse percebido que a escolha que fez em primeiro estava certa. Mas porque não viria? Ele sabia que não estava certo. Não era certo ficar longe dela e tinha percebido isso desde que ela se afastara. Tudo ao seu redor parecia tão errado. 

Enquanto andava na rua, com seu pequeno guarda-chuva não se preocupava em molhar os pés. Tinha outras preocupações na cabeça. Quais seriam suas explicações pra suas atitudes? Sabia que quando seus olhos encontrassem os dele estariam sedentos de questionamentos, com uma sede que não sabia ainda ao certo como seria saciada. A sede que ela imaginava ser a dele, não era a dela. Estava sedenta por conhecimento, por se aproximar de tudo nele que ainda não havia se aproximado, por conhecer o interior dele que ainda não havia sido explorado. Queria mais de tudo. Sempre fora ambiciosa e sabia que não poderia ser de outro jeito! Ela o queria, de corpo e alma, e iria mostrar a ele, só não sabia como. 

Incomodado com a demora quase foi engolido por seu orgulho, se levantou, deu três passos em direção de volta a seu lugar de origem. Porque não poderia me encontrar em minha casa? Porque não antes? Porque só agora? Porque me abala tanto querer saber o que ela quer se de fato meu cérebro me leva a pensar que não a quero mais! Mas os homens tem cachoeiras fluentes de pensamentos levianos. Sabia a resposta antes mesmo de fazer a pergunta: Porque queria ficar junto com ela! Concluiu que não iria embora devido a chuva que estava mais forte, mas que quando se acalmasse levantaria e cessaria a espera! Tolo pensamento, sabia que continuaria a esperar cessasse a chuva ou não! Remotamente se virou pra voltar para baixo do toldo quando a viu dobrando na esquina, em baixo de um guarda-chuva azul marinho, com um vestido florido logo abaixo de um casaquinho que parecia combinar com o seu protetor da chuva. Ficou paralisado. 

Para ela, nada significaria sua expressão facial, em seu interior estava aterrorizada, as idéias superficiais dele tomavam conta dela. Ao encontrar seus olhos percebeu que nada era a não ser uma frágil e constante aprendiz. Todas suas idéias revolucionarias e seus trejeitos muito bem ensaiados de nada valiam ao ser inundada pela verdade de um sentimento. Estava em um de seus vestidos preferidos, mas se sentia nua, pois nada sabia, nada podia, nada era. Seu sorriso sempre estampado no rosto em qualquer lugar que fosse estava preso, trancafiado dentro de suas emoções e ficou convicta de que: ninguém mais poderia liberta-lo naquele momento, se não fosse ele. 

Não se permitiu ficar parado, ao assisti-la vindo foi em sua direção. Ao contrario dela, que pensava milhares de coisas, e estava sem saber o que fazer. Ele sabia, seus pensamentos estavam interrompidos, estava inundado com sua beleza, seu querer, sua falta nos últimos dias. Sabia que ela estaria do seu lado em seus momentos bons, mas que principalmente seguraria sua mão pra enfrentar os ruins, aqueles dos quais se escondia, e escondia de qualquer um. Sem pensar duas vezes chegou perto dela, invadindo o espaço de seu guarda chuva, passou um braço por trás de sua cintura e com o outro segurou de leve seu pescoço e deu-lhe um longo beijo.

Sem ação ainda em sua cabeça transitavam milhares de pensamentos, mas ao sentir o toque dele não houve nada que pudesse fazer para evitar. Queria aquilo, então porque não? 

Sem intenção acabou por praticar aquilo que havia sido ensinado por ela, com a simplicidade de um beijo desbravou o interior de tudo aquilo que tinha pra ser resolvido, com sua proximidade e seu calor resolveu aqueles inquietantes pensamentos que assombravam sua mente e também a dela. Ele a queria, então porque fingir que não? 

Depois de um longo beijo lhe segurou uma mão, puxou-o mais pra dentro de seu pequeno guarda-chuva, para aproveitar a proximidade. Olhou em seus olhos e sentiu que não estava sentindo tudo aquilo sozinha. Ele a entendia. Talvez nem metade da complexidade do ser humano que se escondia dentro dela, mas o que era preciso ele sabia, o que era preciso naquele momento. E acima disso, ela sabia que poderia proporcionar a ele muito mais de si. 

Sentaram-se em baixo do toldo em frente a lojinha vermelha que ela havia escolhido, na qual ele tinha passado por questionamentos intensos de fronte. Era um domingo, as ruas vazias. Não se preocupavam mais em o que, ou como fazer, só em estarem juntos. E ficaram juntos. Ele a esperou, sem cessar… Enquanto isso a chuva continuava a cair.

Achei que fosse errado esse meu jeito de não sentir tanta saudade das coisas, mas descobri que é porque as minhas grandes felicidades eu procuro renovar todos os dias.

Se eu saberia pra onde seus olhos olham quando não olham pra mim? Não. E mesmo que eles olhem pra mim, fico tão sem saber se olham só pra mim, ou pra dentro de mim, ou mesmo se olham pra mim, ou estão distantes. Saber que o que vivo é real, o que passo, o que enfrento. E o que quero? Tenho aquela infinita incerteza dentro de mim, que me faz pensar e repensar nas coisas como louca, sem saber se o que pareceu que foi, foi mesmo, e se não foi o que pareceu? Se nunca foi? As vezes quero tanto teus olhos olhando pra mim, que chego a fechar meus olhos pra pensar. As vezes não quero nem que me olhe, nem de perto, nem de longe, dá pra imaginar? E o vai e vem de meu querer, dá pra encarar? E meu medo, todas as coisas que não sei ser, não sei viver, não sei falar. Querer ser entendida só pelo olhar. Porque eu sinto milhares de coisas, mas nem sempre posso explicar. Não posso exigir que ninguém entenda. Não, não posso, e tenho que ter convicção de que tudo que se passa dentro de mim, se passa unicamente dentro de mim, vem pra fora quando eu escolho que vá pra fora. Tenho medo que nunca ninguém me conheça alem de mim mesma. Queria tanto ser tua aproximação, ser teu querer. Mas e a verdade? A verdade falta pra mim? Ou pros outros ao redor? Te queria tanto que as vezes fico confusa aqui dentro, em saber o que é ou não de verdade. E se existe verdade? Pra que? As vezes é tão bom só ficar do teu lado. Mas o que eu sinto, eu sei, só não sei se é o que sentes, porque se vejo não posso saber, se ouço não posso saber. O que sentes é só teu. Queria ser dona do que não me pertence. 

   Quais serão os 50 mil caminhos possíveis que me levaram a você, e te botaram no meu caminho para que juntos possamos sentir tudo aquilo que é melhor em dobro.
   A quantos lugares te levará meu coração, alem desses encontros e desencontros, saber que o melhor em ficar separado, é ficar juntos de novo.
   Qual profundidade de minha alma teu interesse quer? Minha pessoa rasa, ou a toda de mim. Queres muito ou pouco? Por que não sei ser intermédio. Se for do teu interesse verás o mais intenso, louco e perigoso, mas de mim o que há de melhor.
   Que nossas rotas se tracem e nossas rotinas se queiram juntas, tanto para bagunça, tanto quanto para descanço. Para que não precisem todas palavras completas pro que há para ser entendido. Que o querer, gostar, cuidar, esteja estampado no rosto, no sorriso, no beijo. E no gosto doce de cada encontro.

   Quais serão os 50 mil caminhos possíveis que me levaram a você, e te botaram no meu caminho para que juntos possamos sentir tudo aquilo que é melhor em dobro.

   A quantos lugares te levará meu coração, alem desses encontros e desencontros, saber que o melhor em ficar separado, é ficar juntos de novo.

   Qual profundidade de minha alma teu interesse quer? Minha pessoa rasa, ou a toda de mim. Queres muito ou pouco? Por que não sei ser intermédio. Se for do teu interesse verás o mais intenso, louco e perigoso, mas de mim o que há de melhor.

   Que nossas rotas se tracem e nossas rotinas se queiram juntas, tanto para bagunça, tanto quanto para descanço. Para que não precisem todas palavras completas pro que há para ser entendido. Que o querer, gostar, cuidar, esteja estampado no rosto, no sorriso, no beijo. E no gosto doce de cada encontro.

“Sinto saudades do teu cheiro, mesmo sem ter sentido ainda. Me sinto tão boba. Fico sentindo o cheiro do meu travesseiro, e lembrando de ti. Talvez teu cheiro seja como o do meu travesseiro, é tão bom. Talvez não seja, talvez seja totalmente diferente, mas o cheiro do meu travesseiro me lembra de ti, só porque queria te sentir quando estivesse deitado ao redor deles. Isso me faz perceber que quero te trazer pra dentro da minha vida tanto. Me sinto feliz e afugentada. Me dói sentir esse “teu” cheiro, e não te ter por perto. É estranho o modo com o qual me importo contigo e te quero aqui, sem restrições, só aqui, seja pro que for. Seja como for. Estranho e bom! Te quero porque te quero, não preciso de mais do que tu puder me dar, mas preciso te ter aqui. Vem, tomar o lugar desses meus todos travesseiros.”

Te confesso, que aquela cidade acabou com meu coração. Juntamente com a ajuda dele. Que me silenciou, foi isso que ele fez comigo, me silenciou. Eu não falava mais, não escrevia mais. Agora, depois de passar por isso, confesso. É como quando eu sinto dor, fico muito quieta. E me doía muito, me doía o fato de saber que ele gostava de mim, como eu gostava dele, apesar da visão cega de achar que eu sentia demais, ou esperava demais do que havia entre nós. Ele simplesmente não se deixava levar por isso, como quando a gente tem que deixar as coisas rolarem, naturalmente. Ficava preso dentro dele mesmo e achava que aquele era o certo.
Sei tanto sobre ele e ele tão pouco sobre mim, mesmo assim tirou a conclusão dele achando que eu era uma má pessoa. Me queria perto, era óbvio. Mas agia como se “não”. Tão iludido, se afogando dentro de si mesmo. Foi quando eu vi, que se continuasse a tentar puxar ele pra cima, me afogaria também. Pensei: “Não vale a pena querer estar ao lado de alguém que age como se não te quisesse ali. Por mais que no fundo tu sinta o contrario.” Não é bom ser tratado assim. Queria uma aproximação, quando finalmente percebi que era só até ali que poderia me aproximar e mesmo que pudesse mais, eu não queria. Não tinha porque se esforçar tanto, se em outros lugares, houveram e haveriam, outras pessoas, as quais se interessariam mais, se afetariam mais, e aproveitariam mais de todo aquele esforço. Mesmo que silencioso. Não queria me afogar em outros braços. Se fosse pra me afogar, que fossem com meus próprios problemas. Mesmo assim, nado, diariamente contra qualquer correnteza que a vida possa colocar na minha frente. Tive que te deixar, pra perceber, que você jamais perceberia as coisas simples e lindas que eu queria te proporcionar. A felicidade que poderíamos viver, e o jeito maravilhoso com o qual eu posso fazer alguém se sentir. Tive meu momento abstinência, meus dias de sorvete e filmes, as viagens a outros hemisférios que existiam dentro de mim, uma viagem tão intensa, que achei em algum ponto que fosse me perder. Mas não me perdi, e aqui estou eu. Sabendo que gosto de coisas duradouras, o que tu nunca se pensou capaz, ou ao menos imaginou, de me dar. Depois de me deixar levar por todos os pensamentos possíveis sobre você, penso em mim. Daqui a algum tempo, talvez em outro alguém. Porque me sinto tão livre, de tudo. 
Tive que passar por isso, para perceber o quanto eu precisava de mim mesma, o quanto só eu podia me dar a certeza de que eu era exatamente quem eu queria pra mim. 
Teu eu tão passageiro e incontestável, fez com que eu me confundisse com a realidade. E me fez sentir coisas que você jamais imaginaria que senti. Nem eu imaginava. Mas hoje, me sinto bem. Com a tua falta. Que não falta mais. E com o preenchido que sou de mim mesma! 
Aquela cidade que me deixou só uma vez, agora me falta, aquela bela cidade, de beleza adormecida dentro de mim, bem guardada, pra uma próxima, que me espera, antes mesmo do esperado. Nada é como eu imaginei que seria, mas tudo é melhor! 

Vejo tantas coisas que ainda estão por vir. Hoje me sinto tão bem…

Te confesso, que aquela cidade acabou com meu coração. Juntamente com a ajuda dele. Que me silenciou, foi isso que ele fez comigo, me silenciou. Eu não falava mais, não escrevia mais. Agora, depois de passar por isso, confesso. É como quando eu sinto dor, fico muito quieta. E me doía muito, me doía o fato de saber que ele gostava de mim, como eu gostava dele, apesar da visão cega de achar que eu sentia demais, ou esperava demais do que havia entre nós. Ele simplesmente não se deixava levar por isso, como quando a gente tem que deixar as coisas rolarem, naturalmente. Ficava preso dentro dele mesmo e achava que aquele era o certo.
Sei tanto sobre ele e ele tão pouco sobre mim, mesmo assim tirou a conclusão dele achando que eu era uma má pessoa. Me queria perto, era óbvio. Mas agia como se “não”. Tão iludido, se afogando dentro de si mesmo. Foi quando eu vi, que se continuasse a tentar puxar ele pra cima, me afogaria também. Pensei: “Não vale a pena querer estar ao lado de alguém que age como se não te quisesse ali. Por mais que no fundo tu sinta o contrario.” Não é bom ser tratado assim. Queria uma aproximação, quando finalmente percebi que era só até ali que poderia me aproximar e mesmo que pudesse mais, eu não queria. Não tinha porque se esforçar tanto, se em outros lugares, houveram e haveriam, outras pessoas, as quais se interessariam mais, se afetariam mais, e aproveitariam mais de todo aquele esforço. Mesmo que silencioso. Não queria me afogar em outros braços. Se fosse pra me afogar, que fossem com meus próprios problemas. Mesmo assim, nado, diariamente contra qualquer correnteza que a vida possa colocar na minha frente. Tive que te deixar, pra perceber, que você jamais perceberia as coisas simples e lindas que eu queria te proporcionar. A felicidade que poderíamos viver, e o jeito maravilhoso com o qual eu posso fazer alguém se sentir. Tive meu momento abstinência, meus dias de sorvete e filmes, as viagens a outros hemisférios que existiam dentro de mim, uma viagem tão intensa, que achei em algum ponto que fosse me perder. Mas não me perdi, e aqui estou eu. Sabendo que gosto de coisas duradouras, o que tu nunca se pensou capaz, ou ao menos imaginou, de me dar. Depois de me deixar levar por todos os pensamentos possíveis sobre você, penso em mim. Daqui a algum tempo, talvez em outro alguém. Porque me sinto tão livre, de tudo.
Tive que passar por isso, para perceber o quanto eu precisava de mim mesma, o quanto só eu podia me dar a certeza de que eu era exatamente quem eu queria pra mim.
Teu eu tão passageiro e incontestável, fez com que eu me confundisse com a realidade. E me fez sentir coisas que você jamais imaginaria que senti. Nem eu imaginava. Mas hoje, me sinto bem. Com a tua falta. Que não falta mais. E com o preenchido que sou de mim mesma!
Aquela cidade que me deixou só uma vez, agora me falta, aquela bela cidade, de beleza adormecida dentro de mim, bem guardada, pra uma próxima, que me espera, antes mesmo do esperado. Nada é como eu imaginei que seria, mas tudo é melhor!

Vejo tantas coisas que ainda estão por vir. Hoje me sinto tão bem…

Pense isso. Não posso mudar teu pensamento, posso? Sabe que tenho uma coisa em mim, que não é nem um pouco pequena, por ti. E eu sei que tu tem também. E não é de agora. Mas acontece que é o agora que importa. Não sei como fazer para acender isso, ou tirar do armário algo que parece que é sempre guardado, contra a vontade, mas tenho vontade, de te ver, de te ter. E ela é grande.
Essência do ser

Sei ser quem sou, e é só o que sei ser! Nunca aprendi, nem quis, ser ninguém além de mim mesma, pois me encanto e me apaixono todos os dias pelos meus erros e meus acertos. Essa é a pessoa que me tornei e também quem tenho orgulho de ser. Aprendi a ser feliz, a lutar pelo que eu quero e pelo que (as vezes, talvez, meio errado) acho certo. Não sei tudo sobre mim e talvez nunca saberei, mas sou por completo, quando e onde quer que eu tenha - ou queira - ser. Hoje sei que faço o que gosto, sou o que gosto e é dessa certeza que me basto.